Resumo do case: a Coris Brasil, e-commerce de seguro viagem de São Paulo, descobriu com mapas de calor e gravações de sessão que o banner em destaque da landing page roubava a atenção do formulário de cotação. Um teste de split URL sem o banner subiu as compras em 2,80% e os leads em 0,75%. O número modesto escondia o verdadeiro ganho: a página ficou mais rápida, e o conjunto das mudanças dobrou as conversões em 4 meses.
Tem case que impressiona pelo número. Este impressiona pelo método. A Coris Brasil investia cada vez mais em mídia paga no Google, Meta e TikTok, e o retorno não acompanhava. A saída fácil seria culpar o canal, trocar a agência ou aumentar o orçamento. O time de CRO fez o que poucos fazem: foi olhar a página que recebia o clique.
O contexto: mais mídia, mesmo resultado
A Coris vende seguro viagem online, um mercado em que o custo de aquisição por mídia paga só sobe. Quando o investimento cresce e as vendas não, cada clique desperdiçado fica mais caro. A conta que não fecha quase nunca é da mídia sozinha: é da multiplicação entre o que a mídia entrega e o que a página converte.
A pesquisa: o banner que parecia inofensivo
Com mapas de calor e gravações de sessão da VWO, combinados a feedback de usuários, o time identificou o vilão: o banner em imagem na primeira dobra competia com o formulário de cotação e vencia a disputa pela atenção. É o tipo de achado que só aparece vendo o comportamento real. Quem quiser montar esse processo, temos um guia de análise de gravações de sessão e outro de pesquisa de conversão.
A hipótese: remover o banner da primeira dobra aumenta leads e vendas.
O teste: split URL por causa do motor de cotação
Detalhe técnico relevante: o motor de cotação da Coris é complexo, então o time usou teste de split URL, com as versões rodando em endereços diferentes, em vez de um teste A/B comum na mesma página. Se você nunca parou para escolher entre os dois, vale ler nosso comparativo de teste A/B client-side e server-side.
O teste rodou por um mês inteiro, cobrindo as variações naturais de venda do setor. Ponto de desenho que muita gente erra: encerrar teste no primeiro resultado bonito ignora o ciclo semanal e mensal do negócio. Falamos disso em como definir a duração ideal de um teste A/B.
Controle: a landing page original, com o banner em destaque.

Variação: a mesma página sem o banner, com foco imediato no formulário.

O resultado e o que ele escondia
A variação venceu: +2,80% em compras e +0,75% em leads. Olhando só para o número, dá para torcer o nariz. Foi aí que o case ficou interessante.

Na análise pós-teste, o time descobriu que a página sem banner carregava significativamente mais rápido, o que pesa muito em campanhas de Meta e TikTok, onde a velocidade influencia o leilão e a retenção do clique. Com esse aprendizado, removeram o banner em definitivo e adicionaram vídeos de redes sociais com uma ferramenta que não comprometia o carregamento. O efeito combinado: conversões dobradas em 4 meses.
Minha leitura
O que mais me agrada neste case é a recusa em parar no veredito do teste. O uplift de 0,75% em leads, isolado, provavelmente não passaria no crivo estatístico de muitos times. Mas o time não estava caçando um número para apresentar: estava aprendendo sobre o próprio funil. O teste respondeu uma pergunta e abriu outra, sobre velocidade, que valia mais do que a primeira.
É a diferença entre rodar testes e aprender com testes. O mercado confunde as duas coisas com frequência, e é por isso que escrevi sobre por que a maioria dos cases de CRO não é confiável: número sem contexto de decisão é decorativo.
O que a gente aprende com este case
- Comece pela página, não pela mídia. Tráfego mais caro não resolve página que não converte.
- Pesquisa antes de hipótese. O banner virou suspeito por evidência comportamental, não por opinião de reunião.
- O pós-teste vale tanto quanto o teste. O ganho de velocidade, descoberto depois, valeu mais que o uplift inicial.
- Respeite o ciclo do negócio. Um mês de teste protegeu a conclusão das oscilações do setor.
O que o case não informa
O material original não publica amostra nem MDE, e o +0,75% em leads, sozinho, seria inconclusivo na maioria dos desenhos. O case se sustenta pelo conjunto: teste principal, descoberta de velocidade e o resultado acumulado de 4 meses.
Perguntas frequentes sobre o case Coris Brasil
Quanto aumentou a conversão da Coris Brasil?
O teste de split URL sem o banner aumentou as compras em 2,80% e os leads em 0,75%. Com a combinação das mudanças seguintes, as conversões dobraram em 4 meses.
Por que a Coris usou split URL em vez de teste A/B comum?
Porque o site tem um motor de cotação complexo. O split URL permite rodar variações em endereços diferentes sem complicações técnicas nesse tipo de estrutura.
Quanto tempo durou o teste?
Um mês inteiro, para cobrir as variações naturais de venda do mercado de seguro viagem.
Fontes
Coris Brasil doubles lead conversion in 4 months, case original publicado pela VWO (em inglês). Traduzido e adaptado pela CRO Brasil.
